QUAIS SINAIS MOSTRAM QUE ESTOU PRESTES A SER DEMITIDO(A)?

Veja dicas de como encarar o desligamento de forma mais leve

O cenário de incerteza que se desenrola desde o início da pandemia, tem afetado não só a vida das pessoas como das organizações de diversos setores ao redor do globo. Em pesquisa realizada pelo Fórum Econômico Mundial (WEF) em abril deste ano, com mais de 350 executivos de multinacionais, o medo da recessão, da falência e do desemprego, preocupa a maioria dos entrevistados, evidenciando o momento turbulento que atravessamos. 

Neste contexto, milhares de empresas se viram obrigadas a desligarem seus colaboradores, e a decisão não é fácil. Tanto para quem demite e, muito menos para quem é desligado, que sofre além da dor emocional, pois também precisará lidar com a perda financeira. 

De acordo com o relatório do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no primeiro trimestre de 2020 o Brasil contou com 12,9 milhões de brasileiros desempregados e 4,8 milhões desalentados, já mostrando os primeiros impactos da crise.  Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) divulgados pelo Ministério da Economia, mostram que em maio 331 mil vagas foram fechadas e em abril, ápice da pandemia, outros 902 mil empregos foram encerrados, o maior número em 28 anos.

Por isso, observando esse momento delicado onde gestores e empresas que, por não saberem lidar com tal situação, muitas vezes, realizam essa importante passagem na vida de um profissional sem o devido cuidado, preparei algumas dicas com os principais sinais de que seu nome pode estar na próxima lista de desligamentos:

Principais sinais de que seu nome pode estar na próxima lista de demissões:

  • Seu gestor começa a evitar contato direto, principalmente, o visual, o famoso olho no olho

A mudança na comunicação não verbal é um dos primeiros fatores que podem ser observados. Mesmo que à distância, agora com as reuniões acontecendo de maneira remota, é possível que o gestor comece a evitar ligações, e-mails ou mensagens diretamente a você.

  • Você passa a ser menos convocado em reuniões

Você fica sabendo de reuniões depois que acontecem, ou quando alguém te pergunta de algo que ocorreu achando que estava a par da situação. Esse é outro sinal de que seus dias na instituição podem estar contados.

  • Sua opinião ou participação em novos projetos começa a ser dispensada

Este está diretamente relacionado ao ponto anterior. Como você já não participa de eventos importantes, sua opinião também passa a ser desconsiderada e você começa a se sentir deixado de lado. Tarefas que faziam parte do seu trabalho serem solicitadas a outros colegas, também pode ser um sinal de que as coisas não estão bem.

  • Algumas pessoas começam a se aproximar para entender onde estão certas informações sem um motivo expresso

Subitamente você passa a ser consultado por outros colaboradores ou gestores sobre coisas que dizem respeito ao que você faz. Pode ser onde estão senhas ou planilhas que sejam do seu cotidiano. Ou até mesmo informações referentes ao seu trabalho direto. Esta pode ser uma forma de sondar suas entregas e como delegá-las a outras pessoas. 

  • A forma de tratamento ou o tom de voz do gestor muda

Frio, desinteressado ou agressivo. Seu gestor começa a te tratar diferente do que fazia antes sem nenhum motivo aparente e que pode te constranger de alguma forma. Essa mudança repentina pode ser por não conseguir lidar com a situação, ou na intenção de se distanciar também.

Como encarar a situação de forma mais leve

Ainda que sejam situações complicadas e muitas vezes causadas por empresas e líderes que não estão preparados para fazerem o desligamento de forma cuidadosa e respeitosa, preparei algumas dicas para que você possa encarar a situação de maneira mais leve. 

  • Mantenha a calma, não é a primeira e não será a última vez que você passa por algum tipo de mudança ou perda

Agora é hora de manter a mente equilibrada e tranquila para poder enfrentar isso sem causar mais transtornos para si mesmo e para os outros. Respirar profundamente, se reconectar consigo mesmo costuma ser um bom recomeço.  

  • Anote prós e contras do desligamento e da permanência no emprego, não pare de anotar até que a lista esteja equilibrada

Pode ser que o stress das situações que você está enfrentando não permita que veja pontos positivos ou oportunidades que venham a surgir com o seu desligamento. O exercício de anotar pode colocar as questões em perspectiva e te ajudar a ver o momento com outros olhos. 

  • Depois de realizar os passos acima e de ter tido uma noite bem dormida, procure seu gestor para uma conversa madura e transparente. Na impossibilidade que isso ocorra, procurar o RH pode ser uma alternativa

Um dos maiores geradores de stress é a dúvida e a incerteza, portanto, procurar seu gestor ou o RH para entender melhor o cenário e as intenções sobre seu futuro profissional é um sinal de maturidade e sanidade. Por mais que seja assustador o tema demissão, nossa imaginação fértil pode ser mais cruel do que o fato em si.

  • Ressignifique sua história profissional

Abra espaço na sua agenda para novos hábitos, amplie seu networking e mostre para sua mente que existe muito mais vida fora da sua empresa do que dentro dela. Isso vai ajudar a você a ampliar seus horizontes profissionais e pessoais e, principalmente, lidar com uma possível perda.

Procure ajuda profissional

Ainda que o momento seja complicado e que estejamos todos passando por dificuldades de alguma ordem em nossas rotinas, espero que minhas dicas ajudem você lidar melhor com essa situação. Se for possível, pode ser interessante procurar um profissional que o ajude a entender seu momento e sua trajetória profissional, planejar seus próximos passos, fortalecer seu autoconhecimento e ter clareza sobre suas competências técnicas e comportamentais, também conhecidos como hard and soft skills.

Como mensagem final, vale destacar que autocuidado nessa hora é como canja de galinha, não faz mal a ninguém, portanto, precisa ser incluído em sua rotina. Quando empregado para garantir a qualidade de suas entregas, e quando desempregado para garantir um bom desempenho em sua recolocação.

Algum sábio já deve ter lhe dito que a dor da perda é inevitável, mas o sofrimento é opcional.

Rebeca Toyama – Fundadora da ACI

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